helix aspersa
caracol / Helix aspersa

Helix aspersa é um molusco que apresenta pele de cor acinzentada e úmida. Apresenta 4 tentáculos na porção anterior, sendo os 2 menores para alimentação e os dois maiores são longas estruturas onde estão localizados os olhos.

A concha é marrom-claro com manchas marrom-escuro contornando o espiral da mesma; a coloração da concha varia do claro (pálido) ao quase preto. A concha é grande e esférica; sua superfície é fina, brilhosa e praticamente sem perfurações, com “rugas” esculpindo sua forma.

Um indivíduo adulto apresenta concha com 28 a 32mm de diâmetro. Representantes dessa espécie são mais ativos durante a noite por ser mais úmido; porém, pode ser observado durante o dia após uma chuva. São mais ativos nas temperaturas variando de 4,5 – 31,5ºC. Locomove-se por meio de um órgão muscular (pé muscular) que arrasta o corpo do animal. Existe no pé uma glândula que secreta um muco quase prata que é deixado para trás quando o indivíduo se locomove.

Danos e Prejuízos

As lesmas são moluscos que causam danos em diversas culturas e podem ser transmissoras de parasitas para as pessoas e os animais domésticos. Os danos provocados na agricultura pelas fases jovem e adulta destes moluscos, se constituem no consumo parcial ou integral de plântulas, brotos, folhas, talos e até raízes das plantas hospedeiras. Além disso, os vegetais atacados geralmente apresentam rastros de muco e presença de fezes, que depreciam e até inviabilizam a sua comercialização.

No Brasil, estas pragas já foram observadas atacando diversas culturas, tais como café, banana, fumo, soja e principalmente feijão, com relatos de ocorrência nos estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe, São Paulo, Mato Grosso e Goiás. No Oeste do Estado de Santa Catarina foi observado infestação de lesmas acima do normal em lavouras, a partir de 1993, embora na ocasião não tenha sido dado a devida importância por parte dos agricultores. Nos anos seguintes ocorreu aumento da infestação e começaram ocorrer danos severos principalmente em hortaliças e nas culturas de soja e feijão.

Com a evolução do plantio direto, a abundância de palha na superfície e a adoção de culturas com vegetação exuberante, como o nabo forrageiro, criou-se ambiente favorável ao desenvolvimento de moluscos nas lavouras. Já sob plantio comum, as condições adversas de radiação solar, de baixa umidade do ar e de temperatura elevada limitam o aumento dos níveis populacionais desses moluscos, nas zonas de clima subtropical e tropical.

No cultivo de diversas espécies de flores, as lesmas se alimentam das flores e folhas e em hortaliças, atacam as partes mais tenras, flores, folhas e raízes, o que prejudica sua aparência e partes da planta a serem consumidas. Isso inviabiliza as plantas comercialmente, causando grandes prejuízos aos produtores. Em cultivos protegidos (estufas) que se mantém em umidade constantes, essas pragas encontram seu ambiente mais favorável para sobrevivência e, por isso ocorrem durante todo o ano.

As lesmas são animais hermafroditas, isto é, possuem órgãos genitais masculinos e femininos. Estudos mostram que as lesmas fazem suas posturas em fendas do solo ou embaixo de entulhos, onde os ovos podem permanecer viáveis por longos períodos, mesmo em condições climáticas desfavoráveis. Em condições normais, os indivíduos demoram aproximadamente seis meses para atingir a fase adulta e apresentam longevidade que pode alcançar até 6 anos. Para acentuar o problema, estes moluscos são vetores de parasitas.

De uma maneira geral, as lesmas são pragas de difícil combate, exigindo um manejo integrado de controle. Neste sentido é indicado dar destino adequado aos restos vegetais e dejetos animais, que são fontes alternativas de alimento para estes moluscos. Plantas que são preferencialmente hospedeiras e que não apresentam importância econômica devem ser eliminadas ou então reduzidas. Como medida profilática é recomendado eliminar os entulhos espalhados ou amontoados pela propriedade, reduzindo os locais de abrigo dos moluscos. Da mesma forma, a arejar os ambientes e facilitar a insolação, principalmente nas proximidades das edificações e lavouras, também são práticas capazes de reduzir a infestação desses animais.